BPM no futuro: 7 oportunidades frente à disrupção - universobpm

A disciplina de BPM precisa ser adequada ao modelo de empresas do século XXI.

Esse é um artigo publicado em fevereiro de 2017 por dois profissionais respeitados da área de BPM. Ao ler novamente no final de 2018, percebi pouca evolução tanto de profissionais quanto das empresas.

Isso de certa forma é preocupante, pois estamos passando por uma mudança de Era e muitas empresas estão permanecendo na época das cavernas. O que significa isso? Morte corporativa.

Quem me conhece sabe da minha posição. Precisamos cuidar das nossas empresas no presente sim, principalmente quando falamos de Brasil, as vezes com técnicas chamadas de "ultrapassadas", mas que dão o resultado esperado e adequado para esse momento. No entanto, não podemos deixar de olhar para o "futuro" e nos prepararmos para essa transição com práticas adequadas para o século XXI.

Gravei até um vídeo sobre isso:

Não vou me alongar aqui, mas peço que analise com atenção a mensagem desse artigo e veja se faz sentido pra você.

Boa leitura!

 

 

Por Leandro Jesus e Michael Rosemann (artigo original em inglês disponível aqui)

A disrupção de BPM já está acontecendo

International Conference on Business Process Management (BPM) aconteceu no Rio de Janeiro em 2016. Esse evento anual junta acadêmicos e praticantes de BPM de todo o mundo para discutir status e tendências para a disciplina de BPM. Uma palestra do consultor Brad Power nos chamou atenção, em especial por abordar as empresas hoje dominantes no mundo, como Google, Facebook e Amazon, e suas práticas de gestão. Brad argumentava se práticas como TI bimodal, abordagem DevOps e mesmo Scrum já não estariam obsoletas para tais empresas que operam num nível de mudança contínua e não mais em ciclos. Na hora a pergunta que veio foi: por sinal, essas empresas usam BPM? Acho que todos nós sabemos a resposta.

Essa não é uma discussão irrelevante. Empresas de tecnologia (unicórnios digitais) tornaram-se as empresas mais valiosas de hoje, como mostra claramente a figura abaixo (nota 1). Esta tendência provavelmente continuará e demonstra uma mudança de ativos físicos para digitais (centrados em dados). A expressão "as tecnologias digitais estão engolindo o mundo" nunca foi tão real:

A forma de ver o mundo dos nativos digitais corporativos já é muito diferente da visão daqueles condicionados pelo pensamento da era industrial. É bastante claro que as empresas que estão surgindo na economia digital, desde start-ups até os unicórnios do Vale do Silício, usam abordagens de gestão muito diferentes. Essas empresas não apenas causam disrupção em indústrias - causam também disrupção na gestão.

A gestão está sendo completamente reinventada para o século XXI. Há uma mudança ocorrendo das hierarquias corporativas para redes interorganizacionais, de empregos em horário integral para o trabalho ad-hoc e flexível, de recursos internos para staff sob demanda e crowd, de processos previsíveis e rígidos visando economias de escala para interações e colaborações entre pessoas visando individualização em massa, do ‘planejar e controlar’ para o ‘sentir e responder’, da gestão de riscos à gestão de oportunidades. Na maioria dos casos, esta não é uma evolução simples; é uma mudança de paradigma.

A história demonstra que, em ambientes de disrupção, sempre enxergamos aqueles que negam a disrupção, aqueles que tentam lutar ativamente contra ela e aqueles que se aproveitam do potencial disruptivo de tendências tecnológicas, demográficas e econômicas para capturar oportunidades. Os últimos serão açougueiros, enquanto os primeiros serão perus (nota 2).

Com a disciplina de Business Process Management isso não será exceção. Os diversos experts, acadêmicos, fornecedores e profissionais de BPM de todo o mundo têm nas últimas décadas focado na melhoria incremental de processos existentes, em suas ferramentas e métodos adjacentes. No entanto, a era digital vai requerer mais do que a próxima versão de um padrão de modelagem ou de um algoritmo de mineração de processos. Para BPM permanecer relevante, será preciso reconsiderar sua ambição maior e, em última instância, seu lugar em um ambiente econômico que parece muito diferente da era industrial, o berço do BPM tradicional.

A exigência de moldar um BPM 2.0, uma abordagem de BPM adaptada às necessidades atuais e emergentes, deve ser vista como uma enorme oportunidade. Esta é uma oportunidade para identificar novas questões de pesquisa, uma oportunidade para identificar novos mercados para soluções de BPM e, por fim, uma oportunidade de criar processos ainda mais centrados em clientes.

 

Papel Futuro de BPM

Existe algum papel para BPM nesse novo contexto emergente? Sem dúvida, cadeias de suprimentos, redes de valor e, de maneira geral, as transações diárias na economia digital ainda serão baseadas em processos. No entanto, precisamos definitivamente repensar e rever conceitos estabelecidos em BPM para conceber e executar os processos que a nova economia vai exigir.

1) Vamos começar com a compreensão de um processo. Quanto mais passarmos de uma economia industrial baseada em corporações para uma economia digital que empodera pessoas, mais mudaremos de um paradigma no qual as pessoas (clientes e funcionários) participam da vida de um processo para um ambiente no qual os processos participam da vida das pessoas. Descrevemos isso como a mudança de processos do negócio (business processes) para processos de clientes (customer processes ou customer journeys). Isso expande claramente nossa visão tradicional, pois processos e clientes não se limitam às fronteiras organizacionais.

 

2) Além disso, a maioria das definições de processos tradicionais ainda está largamente associada à execução rígida de atividades pré-definidas, com ênfase pesada em regras, procedimentos e, em última análise, previsibilidade. No entanto, processos previsíveis estão se tornando obsoletos em favor de processos com evolução dinâmica, nos quais as atividades a serem realizadas serão definidas caso a caso em tempo real, de acordo com as mudanças frequentes das necessidades de clientes. É por isso que, por exemplo, as metodologias ágeis valorizam claramente "as pessoas sobre os processos" e "a interatividade sobre a previsibilidade". O processo produzido em massa será substituído pelo processo individualizado de massa.

 

3) Alguns desses processos serão auto-gerenciados por pessoas empoderadas com altos níveis de alfabetização digital. Outros serão digitizados com algoritmos robóticos provavelmente fazendo a maior parte do trabalho sem intervenção humana. E em muitos casos, os seres humanos, as máquinas e as coisas coexistirão e levarão a novas formas de trabalho aumentado, e esse provimento híbrido de recursos criará novas capacidades de processo (nota 3). Nos três casos, o gerenciamento de processos se torna algo completamente diferente e os gestores tradicionais podem se tornar menos relevantes.

 

4) O rico conjunto de possibilidades de tecnologias digitais facilitará a mudança de um BPM centrado em problemas para um BPM direcionado para oportunidades. Em vez de seguir abordagens inside-out focadas no conserto de problemas identificados, esperamos que o BPM futuro seja conduzido por abordagens outside-in. Consequentemente, passaremos de um BPM focado no "o que está quebrado e por quê?" para uma exploração de "o que mais é possível". Este último será orientado pelas novas práticas que são facilitadas pelas tecnologias emergentes.

 

5) O pensamento outside-in, entretanto, não será direcionado apenas por tecnologias, mas também por requisitos de clientes. Organizações pró-ativas precisarão antecipar necessidades de clientes, atuando antes que o cliente interaja com os processos existentes. Neste mundo, os processos serão disparados por eventos da vida fornecidos por clientes que estão dispostos a compartilhar dados privados de sua identidade digital com fornecedores confiáveis através de canais seguros. Em tais ambientes, estar próximo de eventos emergentes de clientes é crítico, e o tempo necessário para iniciar um processo (a chamada latência de processo) pode se tornar uma vantagem competitiva mais significativa do que o tempo de execução do processo.

 

6) Em última análise, podemos questionar todo o ciclo de vida típico de BPM, desde o projeto até a execução, seguido pelo monitoramento e refinamento. As organizações do século XXI precisam adotar uma abordagem "design-by-doing" com sucessivas iterações baseadas na experimentação. Trata-se agora de aprender com os clientes, o mais rapidamente possível, com protótipos e versões beta de processos. Designers de produtos e serviços fizeram isso sob o guarda-chuva do design thinking e lean startup por um tempo. Até agora, no entanto, não vimos uma aceitação semelhante de abordagens de inovação de processos lideradas por design. Se a demanda por tal abordagem aumentar, os profissionais de BPM com mindset corporativo de hoje terão de desenvolver mentalidades empreendedoras e começar a tratar novos processos como oportunidades de start-up. Isso significa que os analistas de processos de hoje terão de se tornar designers de processos intraempreendedores.

 

7) Mais amplamente, estamos diante de um novo mundo no qual as pessoas estão buscando experiências de trabalho diferentes. As corporações impulsionadas pela ambição de valor aos acionistas tornaram-se menos atrativas do que as organizações com um propósito claramente definido e que justificam sua contribuição para a sociedade. Como tal, a clássica otimização de processos com foco em tempo-custo-qualidade já não é mais suficiente. Em vez disso, precisamos também nutrir um BPM orientado por propósito.

A tabela a seguir resume as sete oportunidades que vemos para BPM na era digital:

Com mudanças tão dramáticas na economia digital, por que então devemos defender BPM? Devido aos principais pontos fortes da disciplina: a capacidade de integrar e orquestrar diferentes perspectivas de forma lógica e a capacidade de manter a coerência entre essas múltiplas dimensões, que abrangem aspectos econômicos, sociais, ambientais, tecnológicos e jurídicos de um processo. BPM pode ser o consolidador destas múltiplas dimensões e como tal uma metodologia para gerir a complexidade relacionada com as necessidades dos clientes.

Obviamente, uma disrupção similar está ocorrendo com outras abordagens tradicionais de gestão, tais como a Gestão Estratégica, Gestão de Projetos, Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Relacionamento com o Cliente, Gestão de Riscos e outras. A disrupção da gestão inclui possivelmente uma convergência de muitas destas abordagens. Não haverá mais espaço para diversos especialistas, da estratégia até a implementação, e os intraempreendedores provavelmente virão de diversas áreas de origem. A multifuncionalidade é especialmente relevante em um mundo de incertezas, imprevisibilidade, tecnologias emergentes e novos modelos de negócios. Precisamos articular domínios de conhecimento e permitir a convergência quando estamos lidando com Transformação de Negócios para o mundo digital. Novamente, a capacidade de orquestração inerente ao BPM é crucial aqui.

Neste artigo, tentamos argumentar que precisamos nos mover para um novo tipo de BPM. Como acontece em cada disrupção, isso não é uma evolução da base existente, é uma mudança de paradigma. Ainda usaríamos o rótulo "BPM" neste novo cenário? Talvez não. Certamente não da maneira que conhecemos atualmente. Rótulos não são o mais relevante agora.

 

BPM, Táxis e Uber

Você pode considerar nosso ponto de vista muito negativo ou temer este futuro. Talvez você queira lutar contra ele. Pensamos que poderia ser útil, então, fazer uma analogia simples entre BPM tradicional e táxis.

Consideremos analistas de processos tradicionais, consultores e acadêmicos como taxistas. Eles investiram muito para adquirir licenças de táxi. Além disso, eles dependem deste trabalho como fonte de renda e assim não aceitam que as pessoas não usem mais táxis, precisam mostrar que táxis ainda são vitais para as cidades. Muitos deles querem combater disruptores como o Uber. Outros querem migrar para ele, ou já o fizeram (de forma secreta). Mas todos eles sabem que o modelo de negócios estilo Uber de facilitação é uma disrupção para eles.

O sindicato de motoristas de táxi seria então semelhante aos gurus e autoridades de BPM e associações profissionais. Eles não conseguem chegar a um consenso sobre o que fazer. Eles argumentarão que os táxis não estão se tornando obsoletos para manter o status quo e os regulamentos existentes. Eles podem tentar inventar aplicativos de táxi para replicar partes da experiência Uber. Em qualquer caso, eles certamente negam tendências emergentes e insistem que eles são o caminho para o futuro.

Vamos encarar. Todos nós sabemos que essas coisas estão acontecendo em nosso domínio. Temos claramente um problema com BPM enfrentando disrupção. Provavelmente muitos membros da comunidade não têm a alfabetização digital ou o apetite para melhorar suas habilidades.

De toda forma, negar esse futuro parece não ser uma opção. Fazer a disrupção ou sofrer a disrupção? Ser o açougueiro ou o peru? É hora de se mexer, não para salvar BPM, mas para fornecer à nova economia digital as tão necessárias capacidades de transformação de negócios.

@ Leandro Jesus e Michael Rosemann, fev/2017

 

E aí, curtiu? As vezes esses assuntos demoram a entrar no nossa cabeça, mas é importante estarmos abertos à mudanças e não sermos surpreendidos com essas transofrmações tão rápidas e as vezes imperceptíveis.

Então é isso, não esqueça de se cadastrar na nossa lista de e-mail, deixar seu comentário e compartilhar com seus amigos esse conteúdo.

Grande abraço!

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